Esta
é uma daquelas frases que, quem passa por qualquer problema ligado à saúde
mental, já teve certamente – e infelizmente - de ouvir. Mas não, não é a única.
Lembro-me, assim de repente, de outros exemplos:
- “Isto
está tudo na tua cabeça”: pois claro que está, nós sabemos que está, mas...
e então? Não seria a mesma coisa se estivesse no pé, no braço ou na barriga?
-
“Tu não
tens nada, respira fundo e segue em frente”: desculpem? Não tenho nada?
Então eu já não me reconheço a mim própria, não consigo fazer nada do que fazia
anteriormente e... não tenho nada? Não tenho nada só porque os exames físicos
não detetaram nada?
-
“Tu tens
é preguiça”: esta, para mim, é capaz de ser uma das melhores... Preguiça? A
sério que aquilo que eu passei pode, alguma vez, ser confundido com preguiça?
Estes
e outros comentários, do género, vêm comprovar que, de facto, ainda existe um
grande estigma relativamente à saúde mental. É triste, com certeza que é, mas é
a verdade.
A
princípio, ficava mesmo muito revoltada. Sentia que não era compreendida, que
não acreditavam em mim e que isso só piorava o meu estado – porque, a tudo
aquilo que eu já estava a passar, juntava-se a culpa. A culpa, essa grande inimiga, que aparece para nos deitar ainda mais a
baixo e que nos faz por inúmeras coisas em questão – por exemplo, “será que eu
consigo mesmo dar a volta a isto e ir trabalhar, como me dizem para fazer?
Mas... mas eu não sou capaz. Será que sou uma fraca?”. A culpa, que, sem
dúvida, vem atrasar o processo de
aceitação – que, para mim, foi fundamental para assumir que estava doente e
que precisava de ficar boa.
Para
mim, já era difícil aceitar que estava doente – sem saber como nem porquê.
Ouvir comentários deste género só vinha piorar tudo. Porém, houve um momento em
que os comentários deixaram de me afetar. Sei exatamente que momento foi esse:
Um
amigo meu, grande grande amigo meu, que me acompanhou de perto durante toda a fase marada, escreveu-me, um dia, isto: “Desde
esse tempo que eu aprendi a distinguir muito facilmente e com bastante
segurança dois tipos de pessoas: as que sabem o que são problemas de saúde
mental e as que não sabem. Apercebi-me de que nisto não há meio termo e que
apenas uma pessoa que pertença ao primeiro grupo tem a capacidade, quer queira
ou não, de empatizar com alguém que tem ou teve sintomas ligados à saúde mental,
independentemente de como aceita os comportamentos dessa outra pessoa (ou seja,
empatizar não é desculpar).”
A
partir do momento em que eu li isto, fez-se um clique na minha cabeça. Fez todo
o sentido. E, na verdade, eu não critico nem culpabilizo quem não tem a
capacidade de empatizar connosco, no que diz respeito à saúde mental: aceitei
que, de facto, para quem não passa o que nós passámos, pode ser difícil de
compreender: os sintomas são facilmente confundíveis com a tal “preguiça” ou com
a “fraqueza” ou com o “desanimo” e, convenhamos... Não há provas físicas
daquilo que nós estamos a passar. É lixado. É lixado para nós, mas para os
outros também será, certamente.
Apesar
disto tudo, acho que estamos no bom caminho no que respeita à aceitação da
saúde mental. Quero muito acreditar nisso. E é por isso, também, que aqui
estamos hoje, a partilhar os nossos testemunhos, na primeira pessoa.
Acreditamos, genuinamente, que possa fazer a diferença – por mais pequenina que
seja.
Teresa

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