Hoje
em dia, em tom de brincadeira – mas a falar muito a sério, em termos de
convicção – costumo dizer que a minha
recuperação se deveu, essencialmente, a três grandes fatores, cuja importância
distribuo de acordo com as seguintes percentagens:
60%
- psicoterapia;
30%
- contexto familiar e social;
10%
- medicação.
Hoje,
gostava de vos falar destes 10% e da minha história com a medicação. Não foi fácil. Nada fácil.
Comecei a fazer psicoterapia no final de
novembro, quando os meus ataques de pânico se tornaram mais frequentes e,
sobretudo, mais desgastantes e avassaladores.
Escolhi fazer psicoterapia psicanalítica.
Questionei esta decisão por várias vezes, mas, hoje, sei que foi a melhor escolha que podia ter feito. Para mim. Esta
conversa ficará, certamente, para outro texto, mas o que eu queria, de
facto, dizer é que a psicoterapia é um
processo demorado, que não tem resultados imediatos – e ainda bem que assim
é, porque significa que os benefícios
eventualmente alcançados serão benefícios a longo prazo, duradouros, sólidos e
constantes.
A
verdade é, então, que eu não senti os
benefícios da psicoterapia de imediato. Do final de novembro até janeiro
vivi um período dramático – com direito a ataques
de pânico praticamente diários, a uma hipocondria totalmente limitativa e
desgastante, a idas à rua com o coração a sair pela boca, as pernas a tremer, a
sensação de “estar a sonhar” (que, depois, vim a saber tratar-se de despersonalização)... Mas não, por
incrível que pareça esses meses não foram os meses piores. O pior ainda estava
para vir, a seguir.
No
dia 25 de janeiro, acedi ir ao
psiquiatra. Digo “acedi” porque eu não queria, de facto, ir. Pensei que conseguiria sair do buraco sozinha ou, vá, com a
ajuda dos meus amigos, da minha família, da psicoterapia. E, sobretudo, não queria tomar medicação. Não queria mesmo.
A coisa não correu bem. Marquei
consulta no hospital público – O hospital Júlio de Matos. Costumo ser a maior
defensora dos hospitais públicos e, até então, só tinha coisas boas a dizer.
Porém, desta vez, não foi o caso. A
minha consulta demorou 5 minutos, no máximo. A médica psiquiatra que me
atendeu ouviu-me por breves instantes e medicou-me. Mais nada. Não houve espaço
para dúvidas – tantas, numa situação como aquela... -, para confiança, para
segurança.
A
partir daí foi uma bola de neve. Fui piorando de dia para dia. Não me
dei bem, nada bem mesmo com a medicação receitada pela psiquiatra do hospital
Júlio de Matos. Aos sintomas que já
tinha, juntaram-se outros quantos. Os ataques de pânico transformaram-se
num estado constante e diário, que dava aso a desespero e angústia que
aumentavam, não paravam de aumentar. Confesso:
não sabia o que fazer.
Se
já era cética em relação à medicação – no geral, e não só à medicação
psiquiátrica -, mais cética fiquei. Não
queria tomar mais nada, só queria parar os comprimidos, mas, ao mesmo
tempo, sabia que não os podia parar assim, de repente.
No
dia 1 de março, novo psiquiatra –
recomendado pela minha psicoterapeuta -nova consulta. Nova medicação. Eu não queria, mesmo, passar por tudo novamente. Só queria ficar bem, por magia, só queria
estalar os dedos e voltar a sentir-me normal, a sentir-me eu. Para mais,
ouvia opiniões por todo o lado – na melhor das intenções, sem qualquer dúvida,
daqueles que só queriam o meu bem e que estavam preocupados comigo. Por um lado, diziam-me que a medicação me
ia fazer bem. Por outro, que só me ia fazer mal. Eu, que não estava capaz de
discernir sobre o que quer que fosse, não sabia mesmo o que fazer.
Foi,
mais uma vez, um início complicado. Medo,
muito medo dos comprimidos, dos efeitos secundários, das consequências que
poderiam provocar em mim. Ainda para mais, hipocondríaca que é hipocondríaca
não resiste a ler as bulas de cada um dos comprimidos receitados. Uma bula para um hipocondríaco é mais ou
menos como o sol para os albinos: perigoso.
Comecei
a tomar a medicação no dia 1 de março. Mantém-se até hoje. Manter-se-à até
setembro. Tive a minha última consulta no psiquiatra no dia 24 de maio e a
resposta dele, quando lhe pedi para deixar os comprimidos, foi peremptória – 6
meses de medicação. Sob pena de recaída. E bla
bla bla. Paciência. Não faz mal. Aceitei,
tive de aceitar.
Os comprimidos tiveram os seus benefícios
– os tais 10%. O principal, para mim, foi ter
passado a dormir. Na fase marada,
deixei de dormir. E precisava de dormir. Os
comprimidos atenuam uma ansiedade momentânea. Não curam. Ajudam. Ajudam
momentaneamente nos momentos críticos. É esta a minha visão.
Preferia, como é evidente, não ter tomado
nada. Ter ficado bem sem recorrer a psicofármacos. Mas já sou adulta o
suficiente para saber que nem tudo na vida depende das nossas escolhas e dos
nossos quereres. Teve de ser. Foi.
Teresa
Força...
ResponderEliminarCabeça erguida...
Beijinhos :)