domingo, 24 de julho de 2016

Carta aberta à minha psicoterapeuta.


Querida psicoterapeuta,

Obrigada.
Estranho – para mim, pelo menos – começar uma carta com um agradecimento, assim a frio, sem qualquer tipo de contextualização. Mas não importa. Foi assim que me apeteceu começar, é assim que (me) faz mais sentido agora. 
 
E, por falar em estranheza, poderá, também, soar um tanto ou quanto estranho eu estar a agradecer-lhe pelo seu trabalho. Pelo trabalho que, no fundo, consiste em ser a minha psicoterapeuta. Mas sim, na verdade é mesmo por isso que lhe quero agradecer: pelo seu trabalho, cujo valor é (para mim) absolutamente inegável e imensurável e que – bem sei – é, não raras vezes, injustamente desvalorizado, desconsiderado ou inferiorizado. Agradeço-lhe por isso e agradeço-lhe, sobretudo, pela forma como o faz. Pela forma como, comigo, tem desempenhado o seu papel.

A psicoterapia salvou-me a vida. E, quando o escrevo, escrevo-o sem qualquer tipo de exagero ou representação metafórica. Digo-o e repito, quantas vezes me apetecer: a psicoterapia salvou, mesmo, a minha vida. 

Felizmente, e no meio de todo o cenário negro pelo qual passei – a fase marada, como, meio na brincadeira, faço questão de chamar – tive sempre muito (e bom) acompanhamento,  muito apoio, muitas coisas boas a acontecerem à minha volta, muita gente a querer (e a provocar) o meu bem. Mas, e hoje sou capaz de o discernir totalmente, foi graças à psicoterapia que consegui ir absorvendo todas essas coisas boas, verdadeiramente boas, e levantar-me. Reerguer-me e voltar a ser quem sou. A sentir-me, de novo, eu – quem sabe, até melhor... Mas isso são outras histórias que ficam, quem sabe, para uma outra carta.

Em novembro, movida pelo desespero, decidi pedir ajuda. Reconheço, com toda a franqueza, que eu não sabia o que era ter de pedir ajuda. Tive de aprender a fazê-lo, aos poucos – mais uma, das muitas aprendizagens que sinto ter ganho. Reconheço, também, que não sabia ao que ia. Pedi ajuda pelo simples facto de estar desesperada, assumo. Muitos, provavelmente, poderão pensar qualquer coisa como “que sorte, acertaste na psicoterapeuta à primeira!”. Eu, que não gosto muito da palavra sorte, prefiro dizer que foi, sem dúvida, graças a si, querida psicoterapeuta, e a mim, também, que a psicoterapia foi ganhando esta importância e esta dimensão na minha vida. Graças a si, sem dúvida, porque nunca desistiu de mim, mesmo quando eu própria estive quase a desistir. Porque nunca desistiu, mesmo quando eu desvalorizava tudo e todos à minha volta. Por, no meio do meu desespero, ter conseguido fazer com que eu investisse na psicoterapia, com que eu acreditasse nela, e com que esta fosse resultando, cada vez mais. Ainda bem. Ainda bem mesmo. É só o que consigo dizer. Por isto e por infinitas mais coisas, que guardo para mim: obrigada. Outra vez, obrigada. 

Agora, agora sim, sei o que é a gratidão. Agora, sim, sou capaz de expressar a minha gratidão. Embora saiba que, muito provavelmente, não poderei, nem faz parte do meu papel, recompensá-la ou fazer por si uma migalha do que tem feito por mim, a gratidão, infinita e eterna, já ninguém me tira. E, por isso, acabo exatamente da mesma forma como comecei: obrigada.

Teresa

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