sexta-feira, 15 de julho de 2016

Eu venci este medo #1


Uma das coisas que a minha fase marada trouxe consigo, sem pedir autorização, foi o medo. O medo descontrolado, o medo irracional, o medo de tudo, o medo do medo.

Durante uns meses, vivi com medo. Ou melhor: deixei de viver, por causa do medo. Tudo começou com o medo das doenças – esse, mais conhecido por hipocondria, que sempre me acompanhou, mas que não me limitava, não limitava o meu dia-a-dia, não limitava a minha vida. Depois de estar instalado, é difícil que o medo não se alastre. Não se generalize. Não se torne, agora sim, absolutamente impeditivo. No meu caso, tornou-se, de facto, impeditivo, em muito pouco tempo.

Várias coisas, básicas, do meu dia-a-dia, que outrora considerava inabaláveis, simples e até intuitivas, foram afetadas pelo medo. Ficaram para trás. Sem que eu conseguisse, sequer, encará-las, ou sem que pensasse, sequer, em tentar enfrentá-las.

Hoje, escrevo este texto durante uma viagem de comboio, o Intercidades, até ao Porto. Ora aqui está uma das coisas a que me referia há pouco: andar de comboio para mim sempre foi algo simples, intuitivo e – mais ainda – agradável e confortável. Deixou de ser. Há uns meses, não conseguia sequer conceber a ideia de me enfiar num comboio, durante 3 horas, e partir para uma cidade que não a minha, longe da minha casa. É, o medo pode mesmo limitar a nossa vida. Eu bem sei o que isso é.



Por circunstâncias da vida, circunstâncias muito boas da vida, vi-me obrigada, no dia 20 de maio, a apanhar o Intercidades, pela primeira vez desde a fase marada. Sim, eu já não estava nessa fase a 20 de maio. Mas o medo ainda estava lá. Porquê? Porque ainda não o tinha enfrentado.

Passados dois meses, já apanho qualquer comboio com a naturalidade de antigamente. Se já não fico nem um bocadinho ansiosa? Estaria a mentir se dissesse que não. Fico, sim senhores. Porém, há aqui uma grande – a principal, acho eu – diferença: esta ansiedade, este medo, já não me limita. Já não me impede. Eu sinto o medo, eu aceito-o, mas eu enfrento-o.

Foram precisas algumas estratégias, sim. Foi preciso algum trabalho, claro. Mas digo-vos, muito honestamente: que sensação do caraças.

Teresa

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