O
meu namorado goza comigo. E isso é bom.
Bem,
isto não é assim tão estranho quanto parece, juro-vos. Não fiquem já a achar
que pirei de vez ou que o excesso de
sol me está a fazer mal à cabecinha (muito, muito pelo contrário...!)
Ora,
então, eu passo a explicar:
O
meu namorado apareceu na minha vida depois de a fase marada ter ido embora. Foi
assim uma espécie de troca por troca, estão a ver? Mas eu fiquei a ganhar,
e muito, com essa troca! ;)
Bom,
mas o que eu ia mesmo dizer é que ele sabe tudo aquilo pelo que passei, e, mais
ainda, respeita-me, compreende-me e apoia-me a mil por cento. E não é só isso. Ainda tem o dom de saber brincar com as minhas fragilidades – hipocondria’s calling, por exemplo -, de
as desvalorizar não as desvalorizando (estranho? Mas muito bom!) e de me fazer
rir.
O
meu namorado ajuda-me a que eu própria
consiga brincar com a minha hipocondria e consiga relativizá-la e isso,
para mim, é absolutamente fundamental. Saber
rir de nós mesmos pode ter benefícios incríveis e ser um enorme passo para
aceitarmos, enfrentarmos e até mesmo ultrapassarmos as nossas fragilidades.
Comigo, pelo menos, resulta. Resulta muito e muito bem.
E
agora, para terminar, depois de todo este blá
blá blá (mas sincero!), não resisto a transcrever-vos uma das nossas conversas recentes, que se passou no fim-de-semana
(atenção: isto não é um caso único. Como esta, há mil e quinhentas. Ou mais):
T (eu) – Dói-me aqui um bocadinho o
peito. Achas que é uma doença grave?
P – Acho.
T – Diz lá a verdade... O que é que
achas que eu tenho? É melhor veres, por favor, se o meu coração está a bater
bem... Podes ver?
P – Ora deixa cá ver. Nem o sinto... Se
calhar já parou.
T – Oh páaaaa... Agora a sério... Achas
que é grave?
P – Sim. Pelo que descreves, vejo aí
uma trombose com sinais de ataque cardíaco, mais um AVC elevado ao quadrado.
Tudo junto.
T – Não gozes... Está-me mesmo a doer o
peito! E agora? O que é que eu faço?
P – Pelas minhas contas, é melhor ires
dar um último mergulho à piscina, porque deves ter aí um minuto e trinta e sete
segundos de vida.
E
esta conversa termina com os dois a
rirmos à gargalhada. E comigo a esquecer a dor no peito. A desvalorizá-la. A perceber que estou,
de facto, rodeada de coisas boas na
minha vida, que me têm feito esquecer a hipocondria e coisas que tal. Ou,
pelo menos, a escondê-la assim num cantinho pequenino, mais pequenino do que de
costume.
Teresa

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